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Álvares de Azevedo



Influenciada por Byron e Musset, a segunda geração do Romantismo acabou por representar sentimentos de melancolia, delírio, desespero, exasperação do sentimento, desregramento da vida, loucura, desgostos, ceticismo etc. Participando de tal momento histórico, ÁLVARES DE AZEVEDO não escapou a tal excitação nervosa. Com uma grande diferença, entretanto: precocemente, lutando contra a influência portuguesa na formação da poesia brasileira, ele conseguiu antecipar características fundamentais do Modernismo, como, por exemplo, o privilégio do cotidiano, a ruptura da primazia do poético sobre o prosaico, a dissonância, a dilaceração do eu lírico, a desordem... Essas conquistas, nele, estavam baseadas em um projeto de pensamento, surpreendentemente paralelo ao de Nietzsche (e não posterior ao do filósofo alemão), que visava dissipar o mundo visionário e platônico. Isso significa dizer que o poeta flagrou uma crise histórica de toda idealização ou transcendência mística, levando a poesia em direção ao que há de mais próximo: a vida terrena. Como ele disse: O poeta acorda na terra. Demais, o poeta é o homem.

OBRAS

Lira dos Vinte Anos (1853); Obras (1855); A Noite na Taverna (1878); O Conde Lopo (1986); O Poema do Frade (1890); Macário (1941); Obras Completas (1942); Poesias Completas (1943).

O PRENÚNCIO DO MODERNISMO

“Muito da originalidade e vitalidade de Álvares de Azevedo deriva da valorização poética do cotidiano, da tematização do homem enquanto consciência dramatizada por dicotomias, da concepção e prática do discurso como lugar de embate entre registros emotivo-estéticos dissonantes, do uso de matizado e refinado humor.” (Marlene de Castro Correia, A Poesia de Álvares de Azevedo: o Drama na Cena do Cotidiano)

A CRÍTICA DO SUBLIME

“Consciente de que a transcendência total é limitada ou impossível, Álvares de Azevedo submete à crítica mais feroz as duas criações mais sublimes da poética romântica, a mulher e o próprio poeta. Afirma que ambos estão dependentes de uma visão materialista da existência. Uma sociedade organizada à base de trocas econômicas, reflete o poeta, rebaixa a mulher e humilha a arte.” (Wellington de Almeida Santos, Álvares de Azevedo e a Ironia Romântica)


Extrato da obra Idéias Íntimas

Reina a desordem pela sala antiga,/ Desce a teia de aranha às bambinelas/ À estante pulvurenta. A roupa, os livros/ Sobre as cadeiras poucas se confundem./ Marca a folha do Faust um colarinho/ E Alfredo de Musset encobre às vezes/ De Guerreiro, ou Valasco, um texto obscuro. Como outrora do mundo os elementos/ Pela treva jogando cambalhotas,/ Meu quarto, mundo em caos, espera um Fiat!

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