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Aluísio Azevedo



ALUÍSIO TANCREDO GONZALVES AZEVEDO nasceu em São Luís do Maranhão a 14 de abril de 1857 e faleceu em 21 de janeiro de 1913 em Buenos Aires. Foi funcionário público e jornalista. Com a Idade de vinte e quatro anos Iniciou, em sua terra natal, a carreira literária, escrevendo os romances: "Uma Lágrima de Mulher" "O Mulato" e "Memórias de um Condenado". Mais tarde transferiu-se para o Rio de Janeiro.
Foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Simpatizante da Escola Realista, pode ser considerado como o iniciador dessa corrente literária, no Brasil. Arguto observador social, soube descrever com elegância e exatidão os costumes do povo. Aos quarenta anos entrou para a carreira diplomática, servindo como cônsul do Brasil na Espanha, Inglaterra, Japão, Argentina e Itália. Seus romances são do tipo naturalista, tendo realizado o romance experimental.
"O Mulato" explora a questão racial, embora isso não se coadunasse com os postulados do naturalismo. Sua obra mais expressiva é, sem dúvida, "O Cortiço". Em "O Cortiço" sobressaem com mais vigor e as qualidades excelentes de Aluísio Azevedo. É uma obra-prima de observação pormenorizada. O escritor revela a influência de Eça nos tipos mais caricaturais que apresenta; focaliza as aglomerações residenciais da ralé dos pobres do Rio, semelhantes às nossas favelas atuais.
Aluísio não criou tipos, pois, não se detinha a analisar as almas de seus personagens, nem enveredou pela psicologia Individual, mas limitou-se a lidar com as massas. Nesta obra, são freqüentes os diálogos e observa-se nela o relacionamento dos episódios. Condensou variados aspectos da sociedade da época: o português ambicioso, o fidalgo burguês, o negro, o mestiço, a luta pela vida num ambiente tipicamente brasileiro. Aluísio Azevedo pode ser chamado realista objetivo em busca da realidade externa. Escreveu, também, obras para o teatro e contos, mas é no romance que se destaca o verdadeiro narrador.
Escreveu:
"Uma Lágrima de Mulher" (188O); "Memórias de um Condenado" , (1882); "Filomena Borges", (1884); "O Homem", (1887); "O Esqueleto", (em colaboração com Olavo Bilac) "A Mortalha de Alzira", (1894); "Livro de uma Sogra", (1895); "A Girândola de Amores" ou "O Mistério de Tijuca" (19OO); "Condessa Vesper, (19O1), etc.
Para o teatro produziu:

"Os Doidos", "Casa de Orates", "Flor de Lis", "Em Flagrante", "Caboclo", "Um Caso de Adultério", "Venenos que Curam" e "República".
Obras consideradas de maior valor literário: - "O Mulato" (1881); "O Cortiço" (189O) -, e principalmente "Casa de Pensão" (1894). Imensa foi a repercussão que este último livro obteve no seio da sociedade fluminense, devido ao desenlace ocorrido numa dessas casas de habitação coletiva.
Além disso, no romance se movem tipos de perfeito desenho ao natural, característica peculiar ao seu poderoso engenho retratista. Como jornalista redigiu o "Pensador".
Suas obras têm ocasionado as opiniões mais desencontradas da crítica especializada. Mas, o grande público continua lendo seus livros sempre com grande curiosidade.
Aluísio de Azevedo foi um observador dos costumes de sua época, procurando retratar a burguesia e estudando os seus tipos, como o mau sacerdote, a mulher histérica, o preconceito de cor na figura do mulato. Seu romance não é psicológico; caricatura as pessoas, as coisas e as cenas.
"O Cortiço", "O Mulato" e "Casa de Pensão" são os seus romances mais significativos, bastante o primeiro deles para lhe assegurar o título de principal representante do Naturalismo em nosso país.
O MULATO
Romance precursor do Realismo no Brasil. Tem por local o Maranhão em fins do século XIX, entupido ainda de preconceito racial. Seus personagens principais, Raimundo, jovem mulato recém chegado da Europa após terminar os estudos de Direito naquele continente, Ana Rosa, sua prima e noiva, filha de Manuel Pescada que não consentia no casamento da filha com seu sobrinho, por ser ele filho da escrava Domingas, Cônego Dias, assassino do pai de Raimundo, e Luís Dias, empregado de Manuel Pescada, que por instigação do cônego acabou por assassinar Raimundo. Aluísio Azevedo em "O Mulato", reprova com veemência o ignóbil racismo do fim do século XIX, e dá uma autêntica demonstração de anticlericalismo.

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