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Visconde de Taunay



ALFREDO D'ESCRAGNOLLE TAUNAY (Visconde de Taunay) nasceu no Rio de Janeiro a 22 de fevereiro 1843 e faleceu 25 de janeiro de 1899. Descendente de nobres francês, vindos para o Brasil em 1816, para fundar no Rio de Janeiro a Academia de Belas Artes. Em 1858 conclui os estudos no Imperial Colégio de Pedro II, recebendo o grau de bacharel em letras. Em 1859 Ingressa no Curso de Ciências Físicas e Matemáticas da Escola Militar.

Cursava o penúltimo ano da Escola Militar quando foi chamado a integrar as forças expedicionárias que foram defender as fronteiras do sul de Mato Grosso, Invadidas pelos paraguaios. Toma parte como secretário do Estado Maior na Campanha das Cordilheiras sob o comando do Conde d'Eu e redige o Diário do Exército. Em 1875 é promovido a major e, no ano seguinte, nomeado governador de Santa Catarina.

É condecorado pelo imperador com o título de visconde. Em 1885 abandona a carreira militar, no posto de major, sendo nomeado presidente da província do Paraná. Em janeiro de 1886, é eleito deputado geral por Santa Catarina e logo depois era senador por aquela província. Afastou-se da política em 1889, como senador por fidelidade à monarquia. Faleceu no mesmo ano. A sua obra foi reunida pelo filho Afonso em cerca de 30 volumes.

Escreveu:

"A Retirada da Laguna" (La Retralte de Ia Laguna") - 1871 (Narrativa histórica); "Inocência" - 1872 (Romance); "Lágrimas do Coração" - 1873 (Romance publicado em 1890 com o titulo de "Manuscrito de uma Mulher"); "Ouro Sobre o Azul" - 1874 (Romance); "Céus e Terras do Brasil" - 1882; "0 Encilhamento" -1894 (Romance); "Memórias" - 1948 - (Obra póstuma) etc.

A "Retirada da Laguna" escrita em francês, trata da expedição da coluna brasileira que foi libertar a província de Mato Grosso da invasão paraguala e narra o célebre e trágico episódio da "Retirada da Laguna".

INOCÊNCIA

É um romance de costumes sertanejos, onde retrata fielmente costumes, tradições, cenários e tipos da vida sertaneja. Marca a transição do romance puramente sentimental para a obra mais serena de observação. Grande paisagista, cor local, leveza e naturalidade nos diálogos. Estilo espontâneo, sóbrio, medido, nem sempre bem cuidado, mas elegante e expressivo.

"Inocência" é a fusão de uma realidade autêntica, quanto às personagens, quanto ao linguajar, hábitos, costumes, tradições, com uma história de amor bastante ao gosto romântico. Trata-se de um romance regionalista que nos retrata com fidelidade a paisagem. Muito diverso é o "regionalismo" de Alencar, por exemplo, em "0 Gaúcho", e em "0 Sertanejo", onde o ambiente é apenas uma evocação e não uma amostra fiel.

Revelou-se Taunay um magno paisagista pela fusão do gosto apurado do artista com a exuberante natureza brasileira, além do fato de o escritor ser um naturalista, um conhecedor científico da natureza. Foi também agudo observador de tipos, hábitos e do linguajar do caboclo. Todas as personagens de "Inocência" foram tiradas da realidade vivida por Taunay; são caipiras com os quais o autor manteve relações nas suas passagens pelo sertão por ocasião da campanha do Paraguai.

0 romance não peca por verossimilhança ausente, é perfeita a autenticidade dos tipos. Também do linguajar caipira foi o romancista arguto observador, contribuindo com um documento da época, de grande valor, para os estudiosos.

Em "Inocência" observa-se uma realidade vista de dois ângulos. De um lado Meyer e Cirino que são elementos fora de seus próprios ambientes exercendo pressão num novo ambiente. Do outro lado o sr. Pereira e Manecão com seus hábitos e costumes próprios do ambiente onde vivem, pressionados pelos estranhos. "Inocência" seria o campo de lutas dessas duas visões da realidade. Pereira e Manecão representam os hábitos e costumes do sertão brasileiro. São as absurdas normas morais que surgem, são as crendices, são a falta de civilidade e a mentalidade diminuta, a visão exígua da realidade. Meyer e Cirino são a visão mais racional da realidade, a mentalidade aberta aos problemas.

"Inocência" sofre essas duas forças antagônicas e consegue desprender-se da obrigação absurda, a promessa de casamento, com um homem que ela absolutamente não amava, quando aparece Cirino que a ama e que ela também amava. As Influências estranhas às maneiras do sertão brasileiro não conseguiram sobrepujá-las. Invicto, portanto, o sertão, como não poderia deixar de ser, pois que na época dominava a estética nacionalista. Cirino é morto por Manecão e "Inocência" não vê seu sonho realizado.

0 Brasil que aparece em "Inocência" é um Brasil bem brasileiro, muito diferente do Brasil de Alencar, um Brasil produto da Imaginação romântica. 0 romance de Taunay é altamente Importante no romantismo brasileiro. Ele nos trouxe o Brasil regionalista com todo o seu pitoresco, com toda a sua beleza, numa história de amor que demonstrou toda a força desse sertão bruto.

INOCÊNCIA foi publicada no Rio de Janeiro, em 1872 e que representa a tônica de seu prestígio tanto no Brasil como fora. Pelas suas características, a obra situa-se na transição entre o Romantismo e o Realismo. Inocência é "pivô" de um drama amoroso eclodido em meio a luxuriante natureza e o sertanejo, com sua obstinação, suscetibilidade e arrogância peculiares, é representado pelo pai da heroína. 0 livro foi traduzido a muitas línguas e mesmo com o passar dos tempos é sempre admirado. Ainda hoje é considerado um romance fundamental na literatura brasileira.

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